20 abr

O hábito da leitura na criação do repertório de porta-vozes

O blog da B4Tcomm, em comemoração ao Dia Mundial do Livro, celebrado no próximo dia 23 de abril, de acordo com o calendário da UNESCO, conversou dessa vez com Andréa Kogan.
Andréa é graduada em Letras (língua e literatura inglesa), é Mestre em Turismo e Doutora em Ciência da Religião. Em 2017, leu cerca de 120 livros – uma média de 10 livros por mês! – e publicou um ranking dos melhores e piores em seu blog Páginas da Relva.

1) Como fazer para a leitura virar um hábito?

Andréa: A leitura deve ser incentivada desde a infância. Se as crianças veem os pais lendo, vão acabar se interessando também. Deve haver passeio para livrarias para elas tornarem isso algo parte da rotina.

Se o jovem/adulto não lê, sempre é tempo de começar! Qualquer pessoa tem algum assunto que interesse na vida: de jardinagem a paraquedismo, de marketing a futebol, de cinema a tarô, de espiritismo a ateísmo. E para tudo tem um livro. Qualquer pessoa admira alguém famoso/importante: leia sobre essa personalidade! Enfim, não há desculpa!

Também é importante que a pessoa entenda em que momento ler se torna bacana: antes de dormir? Ao acordar? Na sala do espera do dentista? Não importa para onde vou, mas levo sempre um livro comigo e quando esqueço, parece que falta alguma coisa na bolsa! E vejam: com os e-books e áudio-livros, não precisamos carregar peso!

2) Quando lemos, criamos maior repertório e fluência na construção de pensamentos e argumentações. Que tipo de literatura você indicaria para os porta-vozes de empresas, que frequentemente concedem entrevistas ou participam de debates?

Andréa: Acredito que todo tipo de texto BEM ESCRITO deve ser lido por estes profissionais. Quem lê muito naturalmente consegue ter maior repertório, mais vocabulário, se expressa de forma natural e melhora muito na escrita. Livros de comunicação pertinentes à área ajudam, mas podemos pensar que livros de ficção também podem ajudar. Um bom texto literário, quando bem escrito, bem redigido, nos ajuda em tudo.

3) A comunicação empresarial efetiva depende da literatura ou da leitura?

Andréa: Sem dúvida! Não há quem se comunique bem – seja na vida pessoal ou na empresarial – sem leitura. Não há como aprendermos ou nos aperfeiçoarmos em sermos bons porta-vozes, assessores, executivos só vendo vídeos ou séries no Netflix. E vejam: nada contra, obviamente! Precisamos disso para a vida, mas nada substitui as construções de um texto. Não sabemos as regras gramaticais pois unicamente nos lembramos do que a professora nos falou na época da escola. Mas por que escrevemos de forma correta? Porque lemos! E isso entra na nossa cabeça naturalmente! Pensamos até: “não sei por que esta frase está correta, só sei que está.” É isso que a leitura cotidiana nos faz.

4) Liste 10 livros, colunistas ou pensadores da atualidade que merecem ser lidos ou seguidos nas redes sociais para os porta-vozes poderem ampliar repertório e não ficarem tão reféns da literatura de Administração & Marketing.

1) Gosto dos pensadores atuais no Brasil: Luiz Felipe Pondé, Leandro Karnal, Mario Sérgio Cortella. Não precisamos concordar com as ideias deles. Não há necessidade. Mas são pesquisadores e acadêmicos sérios. E estudaram muito e leem muito (desnecessário dizer). Só entre eles há mais de 10 títulos recentes.

2) Sheryl Sandberg é a chief operating officer do Facebook e escreveu livros interessantes na área de administração/marketing/liderança. E escreve bem!

3) Valter Hugo Mãe é um grande escritor da atualidade, com pouco mais de 40 anos de idade. Também é uma figura bastante atuante nas redes sociais e seus livros são uma lição de escrita. Belíssimos.

4) Vale ler textos curtos! Mas cuidado com os cronistas: há coisas bacanas, mas há coisas ruins demais. Eu recomendo sempre o mestre Luís Fernando Veríssimo.

5) Leia um bom livro de detetive/assassinato/thriller: você ficará atento e curioso para saber quem é o “culpado”! A leitura flui com escritores bacanas. Recomendo A.J. Finn com o ótimo “A mulher na janela”.

6) Relatos reais – biografias, crimes, etc. – quando bem escritos – nos ensinam demais, demais. E fazem com que nosso repertório se abra para o mundo. São inúmeras as opções nesta área: a biografia do Jô Soares, “Entre o Mundo e eu” de Ta-Nehisi Coates, os ensaios sobre Oriente Médio do israelense Amós Oz, etc.

7) Um escritor falecido recentemente que é fascinante é Oliver Sacks. Além de médico, é um maravilhoso escritor. Muito talento em todos os seus textos.

8) Textos de humor também precisam ser encaixados na nossa rotina: tornam a nossa vida mais leve. Recomendo qualquer material do excelente Bill Bryson.

9) Nelson Rodrigues foi um fantástico cronista. Há coletâneas dos textos dele de jornal e valem a pena pois este filósofo contemporâneo nos ensina como o homem se comporta, o que pensa, como vive.

10) Autores de ficção e não ficção vivos que eu sempre leio (brasileiros e estrangeiros), não importa o que escrevem (acho que todos podem fazer esta listinha): Valter Hugo Mãe, Veríssimo, Toni Morrison, Julian Barnes, David Sedaris, Michael Cunningham, Paul Auster, Nick Hornby, Andrew Solomon, Michel Laub, Alain de Botton, Mario Prata, Fal Azevedo, dentre outros que vou lembrar só quando este texto já estiver na rede! Mas podemos continuar o papo sempre ;.)

Andréa Kogan está lançando seu livro “Espiritismo Judaico”, fruto de seu doutorado concluído em 2016 pela PUC-SP. Pedimos para ela listar “Os 7 hábitos do leitor eficaz” para você praticar a partir de hoje:

Infográfico Sete hábitos do leitor eficaz

“Os 7 hábitos do leitor eficaz” por Andréa Kogan

1) Busque o que te faz feliz na leitura – um assunto que te dê prazer – e aos poucos passe para outras coisas. É importante ler os clássicos? De certa forma sim. Mas ninguém te obriga a ler Guimarães Rosa ou James Joyce. E ler sem gostar não te faz uma pessoa melhor.

2) Pergunte para você mesmo qual o melhor horário que gostaria de ler e onde – Na cozinha enquanto toma café da manhã? Na cama antes de dormir? E procure fazer com que seja algo divertido, não uma obrigação;

3) Vá a livrarias e se perca. Veja todos os gêneros, folheie livros diferentes, peça indicação aos funcionários e relaxe;

4) Peça indicação aos amigos que você confia: você sempre terá alguém ao seu lado que leu alguma coisa interessante, um colega de trabalho que ama determinado autor, seu chefe, etc. Pergunte. Troque ideias;

5) Não se preocupe com velocidade! Cada um lê no ritmo que consegue/quer. Não há certo e errado. Um livro por mês é bacana, um livro a cada dois meses também é…
6) Entre em sites sobre livros/literatura, ouça podcasts (meu favorito é o New York Times Book Review), encontre páginas bacanas no Facebook (gosto muito da “Modern Mrs Darcy”), veja as “reviews” na Amazon. Seja curioso.

7) Se não gostar de algo, não seja masoquista: procure outra coisa. Largue. Há muito livro no mundo e nós temos um tempo limitado aqui na Terra. Não fique ansioso por essa razão e ao mesmo tempo seja desprendido. Leia o que te faça feliz. Sempre, sempre, sempre há alguma coisa.

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